Vivemos em um mundo altamente capitalista onde “um devora o outro” objetivando somente o aumento de suas riquezas. São relações individualistas e de exploração. Discursos hegemônicos e eurocêntricos ainda nos rodeiam, estão à espreita para nos devorar, nos homogeneizar, hierarquizar, coisificar. Deve-se tomar cuidado para que não se chegue à consequências desastrosas de ser-mos reduzidos de consumidores a consumidos por nosso próprio pré-conceito.
A análise do discurso crítico, como meio de desconstrução da ideologia dominante é um bom primeiro passo que ajudará a desmascarar ideologias, poderemos avaliar e julgar de forma mais coerente e reflexiva, ideologias “plantadas”, sabendo que (“...) quem fala, fala de algum lugar, a partir de um direito reconhecido institucionalmente.” (Ivia Alves).
Sei que até o momento falei sobre mulheres, sei também que não são somente mulheres que sofrem de discriminações e opressões, homens que não compartilham da masculinidade hegemônica e que não estão dentro dos parâmetros dos sujeitos universais também sofrem. No entanto a mulher somente por sê-la já é destituída de privilégios, que por sua vez os homens gozam.
Neste primeiro ano do curso de Bacharelado em Gênero e Diversidades da Universidade Federal da Bahia, aprendemos muito, nossa mente se abriu para novas possibilidades, para coisas que antes nos eram invisíveis, ocultas, sem importância. Entendemos que gênero não é o mais importante, mas é essencial para ser analisado a partir de suas articulações classe, raça/etnia, idade/geração e outras que se julguem necessárias. Entendemos também que o “Pessoal é político” e que o “Político é coletivo” e que a política é a pluralidade, liberdade, potencial de revolta, conflito. Devemos lutar por uma igualdade nos âmbitos social, político, econômico e em outros campos. Joan Scott diz que igualdade e diferença são uma falsa dicotomia, já que na igualdade já está incluso um sujeito político que supõe diferenças. Diferença não é desigualdade, as pessoas são únicas, invioláveis, sagradas, insubstituíveis, plurais e singulares. Pedimos então uma igualdade na diferença. Lutemos por uma igualdade substantiva mais equivalente, equilibrada, para que possamos ser cidadãs.
Ainda hoje em nome de ideologias racistas que mascaram, limitam e falseiam praticam-se atos violentos e cruéis contra mulheres, homens e grupos simplesmente pela cor da pele, religião, orientação sexual ou partido político. Onde estão sendo assegurados nossos direitos? Onde está o Estado? A sociedade precisa se organizar objetivando uma mudança nesta realidade, para que possam ser garantidos nossos direitos de ser-mos livres, e iguais no sentido político.
Encerro com a seguinte frase “Creio na união dos saberes e experiências, que sejam bases sustentáveis para um feminismo crítico capaz de produzir um olhar geopolítico” (Yuderkys Espiñosa Miñoso, Bahia, 2010). Somente a produção e disseminação de novos saberes associadas a lutas e marchas poderemos lutar pela libertação das ideologias hegemônicas que aprisionam mentes e corpos.
(Reflexão retirada da atividade baseada no curso “Racismo e suas articulações de gênero, classe e sexualidade na pós-colonialidade Latinoamericana e Caribenha”)
